Durante muito tempo, possuir um estabilizador era sinônimo de proteção para os componentes nele ligados. Hoje, porém, sabemos que isso não é verdade e que você pode estar colocando seu computador em risco. Para provar isto, vamos explicar por que você deve parar de usar esse equipamento imediatamente.
Um estabilizador consiste basicamente em um transformador com diversas saídas que fornecem diferentes níveis de tensão, além de uma chave seletora chamada relé. Ao alternar a posição para ajustar a tensão de saída, o relé leva um intervalo de tempo — curto, porém existente — para completar a mudança. Ocorre que a fonte do computador é desalimentada durante esse intervalo e, dependendo do modelo, os capacitores não conseguem armazenar energia por tempo suficiente. É aí que encontramos o primeiro problema.
Outro ponto — este bem mais grave — é que as fontes de alimentação possuem um componente chamado termistor (um resistor térmico). Em temperatura ambiente, a resistência do termistor é muito alta, diminuindo conforme ele esquenta. Quando a fonte é ligada, surge uma corrente de partida muito forte; como o resistor está frio (com resistência alta), ele retém essa corrente, protegendo os componentes. O problema é que, como o relé do estabilizador fica chaveando, não há tempo para o termistor esfriar. Logo, sua resistência permanece baixa e a corrente de partida passa direto para os capacitores, podendo danificar seriamente o equipamento.
Além disso, muitas pessoas acreditam que os estabilizadores protegem contra surtos de tensão quando, na verdade, fazem o contrário. Segundo a Lei de Lenz, uma corrente oposta à fonte é gerada quando a corrente aplicada pelo gerador sobre o indutor é cortada e o campo magnético se desfaz. Já segundo a Lei de Faraday, quando o campo magnético "some" rapidamente, são gerados surtos altíssimos de tensão no sentido inverso. No caso, a bobina do estabilizador atua como o indutor e o chaveamento do relé como a abertura no circuito. Logo, você não ligou seu computador em um protetor, mas em um gerador de surtos.
Tem mais: a fonte de um computador, por mais barata que seja, é capaz de corrigir a energia muito mais rápido que um estabilizador, uma vez que utiliza transistores em vez de relés. Quando ocorre uma instabilidade na rede, a fonte a corrige instantaneamente. Só depois o estabilizador tenta ajustar a tensão; ao fazê-lo, a fonte (que já havia se estabilizado) detecta a nova variação causada pelo próprio estabilizador e precisa reajustar tudo novamente. Isso faz com que a fonte trabalhe o dobro desnecessariamente.
Não para por aí: a maioria dos estabilizadores comuns é pouco potente, entregando cerca de 300 VA. Se você possui um computador potente que consome 500 VA ou mais, o estabilizador não conseguirá suprir a demanda quando exigido, podendo superaquecer e até causar um curto-circuito.
Para fechar, fontes que possuem PFC Ativo (Fator de Correção de Potência) têm seu funcionamento seriamente prejudicado por estabilizadores, pois necessitam de uma energia limpa e constante para operar corretamente.
Conclusão: Livre-se do seu estabilizador e ligue seu computador direto na tomada. Se não se sentir seguro, adquira um filtro de linha de qualidade, de preferência com DPS (Dispositivo de Proteção contra Surtos). Um filtro com varistores e fusíveis já é um bom começo, mas o mais importante é ter uma fonte de qualidade e um aterramento adequado em sua residência.